sábado, 29 de agosto de 2026

Hermelina A. Passarella

HERMELINA ALBUQUERQUE PASSARELLA 12 DE SETEMBRO — 🎂🎂🎂🎂🎂🎂🎂ANIVERSÁRIO DE DONA HERMELINA DE ALBUQUERQUE PASSARELLA Uma das personalidades mais marcantes da história da educação, da cultura e da assistência social de Mairiporã. ♻️QUEM FOI DONA SINHARINHA? Hermelina de Albuquerque Passarella, ou Dona Sinharinha, como era carinhosamente chamada pela população, é considerada uma das pioneiras do ensino em Mairiporã. Sua dedicação à educação lhe rendeu o reconhecimento como professora-símbolo da cidade. Dona Sinharinha nasceu em 12 de setembro de 1884, em Angatuba, então denominada Espírito Santo da Boa Vista, na região sorocabana, a 142 anos atrás. Formou-se professora pela tradicional Escola Complementar de Itapetininga, diplomando-se em dezembro de 1903. Inicialmente, lecionou durante seis meses em Santa Rita do Passa Quatro. Em julho de 1904, transferiu-se para o então município de Juquery, onde se estabeleceu definitivamente. Em dezembro do mesmo ano, casou-se com o tabelião da cidade, Sr. Felício Afonso Passarella. Dessa união nasceram quatro filhos: José Babil Passarella, que exerceu o cargo de diretor do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo. Dr. Ozilde de Albuquerque Passarella, médico sanitarista, que também foi prefeito municipal e, posteriormente, presidente da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro. Dr. Lamartine de Albuquerque Passarella, advogado, que por duas vezes exerceu o cargo de prefeito de Mairiporã e foi presidente da Câmara Municipal em três legislaturas. Maria Benedita Passarella Haborland, diretora do Serviço de Assistência Social da Prefeitura de São Paulo. ♻️PIONEIRA DA EDUCAÇÃO EM MAIRIPORÃ Como professora, Dona Sinharinha teve papel fundamental na expansão do ensino, especialmente na zona rural de Mairiporã. Sua primeira escola funcionou no bairro Juqueri-Mirim. Posteriormente, lecionou no bairro Votorantim, onde permaneceu até 1910. Nesse ano, foi transferida para a sede do município, assumindo a única escola então existente, localizada na antiga Rua de Baixo, atual Rua Coronel Fagundes. Em 1936, Dona Sinharinha empreendeu grandes esforços para a criação do primeiro Grupo Escolar de Mairiporã, buscando ampliar as oportunidades educacionais das crianças, que até então ficavam, em grande parte, limitadas aos primeiros anos de alfabetização. Nesse processo, também merece destaque a atuação da professora Nancy de Freitas Rolin, que foi transferida para Juquery/Mairiporã em 2 de junho de 1932, passando a lecionar na Escola Mista de Juquery. Dona Nancy era casada com Sr. Iracy Rolin, farmacêutico e também vereador do município. ♻️FORMADORA DE PROFESSORES E INCENTIVADORA DA CULTURA Dona Sinharinha não se limitou ao ensino regular. Demonstrando grande preocupação com a formação dos jovens, oferecia cursos complementares aos alunos que mais se destacavam, preparando-os tanto para o exercício do magistério municipal quanto para o ingresso no ensino secundário. Entre seus inúmeros alunos, destacaram-se Emília Galrão Cardoso, Elmira Oliveira Chamma e Hermelina Ramos Cavalcante, entre outros. Sua atuação também ultrapassou os limites da sala de aula. Dona Sinharinha escrevia e organizava peças teatrais, apresentadas por seus alunos durante festas cívicas e religiosas. Em uma época em que Mairiporã ainda não possuía cinema ou televisão, essas apresentações representavam importantes momentos de entretenimento e convivência para a população. ♻️INCENTIVO À MÚSICA E À VIDA CULTURAL Nos primeiros anos da década de 1920, Dona Sinharinha, juntamente com Padre Bibiano, que além de pároco era músico, incentivou a criação da primeira corporação musical da cidade. À frente dessa iniciativa esteve Sr. João de Almeida Cardoso, conhecido como João Brás, pai de Eugênio Almeida Cardoso, que, além de comerciante, também era músico. Essa participação demonstra que a contribuição de Dona Sinharinha para Mairiporã foi muito além da educação formal. Ela esteve ligada à formação de jovens, ao desenvolvimento cultural, ao teatro e à música, contribuindo para a construção da identidade cultural do município. ♻️UM NOME PARA,AS FILHAS MULHERES Dona Hemelina Albuquerque Passarella era uma mulher à frente de seu tempo. Dona Hemelina foi uma das personalidades marcantes da história da educação e da assistência social de Mairiporã, até então conhecida como Juqueri. Mesmo pertencendo a uma família de posição social privilegiada, jamais se afastou das dificuldades enfrentadas pela população que vivia nas regiões mais distantes do município. Naquele período, muitas localidades de Juqueri eram de difícil acesso, cercadas por extensas áreas de mata e caminhos precários. Dona Hermelina, vestida com a elegância característica de sua época, não permitia que as dificuldades de locomoção fossem um obstáculo para sua missão. Em sua charrete, acompanhada por um guia ou, em algumas ocasiões, seguindo por conta própria, percorria longas distâncias para levar a educação e o conhecimento às comunidades mais afastadas. Essas viagens eram realizadas em meio às matas da região, onde havia riscos e animais silvestres, inclusive felinos de grande porte. Ainda assim, Dona Hermelina enfrentava as dificuldades com coragem e determinação, demonstrando que, para ela, o acesso à educação deveria alcançar também aqueles que viviam nos lugares mais isolados de Juqueri. Mas sua atuação não se limitou à educação. Dona Emelina também teve uma importante participação na valorização e no reconhecimento da identidade das mulheres de seu tempo. Na sociedade daquela época, era comum que muitas mulheres fossem registradas sem o sobrenome paterno, recebendo nomes associados à tradição religiosa, como Maria de Jesus, Luísa do Espírito Santo ou Antônia da Paixão. O sobrenome familiar, em muitos casos, era destinado principalmente aos homens, refletindo uma estrutura social na qual a mulher possuía menor reconhecimento formal de sua identidade familiar. Casada com o tabelião Passarella, Dona Emelina utilizou sua influência e sua posição para incentivar uma mudança nesse costume. Ela convocava os pais para que levassem suas filhas ao cartório e providenciassem o registro com o sobrenome paterno, preservando, quando existente, o nome religioso, mas acrescentando a identificação da família. Assim, uma menina que antes poderia ser registrada apenas como Maria da Paixão passava a ter seu nome familiar reconhecido, como Maria da Paixão da Silva; Maria de Jesus poderia tornar-se Maria de Jesus Pereira ou Antonia dos Santos como Antonia dos Santos Silva. Esse gesto, aparentemente simples, representava muito mais do que uma mudança no registro civil. Era uma forma de reconhecer a identidade, a origem e o pertencimento familiar dessas meninas, conferindo-lhes uma dignidade documental que muitas mulheres não tinham. A história de Dona Hermelina de Albuquerque Passarella é, portanto, a história de uma mulher que rompeu barreiras de sua época. Entre caminhos de terra, matas, dificuldades e distâncias, ela levou a educação às regiões mais longínquas de Juqueri e também contribuiu para que as mulheres tivessem sua identidade familiar reconhecida. Sua trajetória permanece como testemunho de uma mulher que fez da educação, da dignidade e da valorização humana uma verdadeira missão de vida, deixando uma importante marca na história de Mairiporã. ♻️UM LEGADO PARA MAIRIPORÃ A trajetória de Hermelina de Albuquerque Passarella, Dona Sinharinha, representa um importante capítulo da história de Mairiporã. Sua dedicação à educação, à formação de novos professores e ao desenvolvimento cultural ajudou a transformar a vida de várias gerações. Mais do que uma professora, Dona Sinharinha foi uma educadora, incentivadora da cultura e formadora de cidadãos, deixando um legado que permanece na memória da cidade. Ao recordar seu nascimento, em 12 de setembro, é também uma oportunidade de reconhecer a importância daqueles que dedicaram suas vidas à construção da educação e da cultura de Mairiporã. Dona Sinharinha permanece como símbolo da educação, da cultura e da dedicação ao desenvolvimento de Mairiporã. ♻️ Bethos Massucato

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